Ando irremediavelmente perdida.
Mais uma vez.
Sua imagem vem quando quer e me perturba o sono, atrapalha minha concentração e as coisas apenas passam.
Tem que ser casual.
Procuro em trilhos abandonados o trem perdido na noite dos tempos tentando resgatar algo em mim que ainda não sei.
Sua imagem vem e me arrasta por becos insondáveis.
Suas palavras, não ditas para mim, me afastam e me atraem como furacão incontido.
Estou à deriva de seus desejos, me entrego aos ventos de seu destino.
O brilho de seus olhos à noite e o eco de sua voz rouca me convida (me convida mesmo?) a uma entrega mútua sem limites, sem amanhãs.
Enlouqueço e estou perdido, mais uma vez, perdido procurando-o em trilhos esquecidos.
Desejo que esteja em algum ponto jogando pedras para os lados pensando em sua vida, ou cantando uma música sem me esperar!

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